Os benefícios da musculação para o corpo são conhecidos faz tempo. Vão além de proporcionar formas bonitas; a atividade, entre outras vantagens, ajuda na manutenção da massa óssea, auxilia no controle da taxa de açúcar no sangue, colabora para o condicionamento físico e contribui para proteger o coração.
Para a mente, os ganhos também não são novidade. Assim como outras atividades físicas, ela atua na manutenção do equilíbrio, do bem-estar, da cognição e do bom funcionamento cerebral.
A notícia mais recente, porém, é outra. Um estudo publicado em 2023 por pesquisadores ligados à equipe de Ciência do Esporte e da Saúde da Universidade de Ritsumeikan, em Kyoto, no Japão, aponta que fazer exercícios de resistência com peso tem um impacto especialmente positivo sobre a pele.

Os cientistas acompanharam um grupo de 61 mulheres sedentárias, porém saudáveis, entre 41 e 59 anos por 16 semanas. Elas foram divididas em dois grupos. O primeiro seguiu um treinamento aeróbico duas vezes por semana; o segundo, um treinamento de resistência, também duas vezes por semana. Todas as sessões foram acompanhadas por treinadores experientes e as participantes foram orientadas a, durante a duração do experimento, não fazer nenhum exercício além das atividades propostas, não iniciar nenhuma suplementação ou terapia hormonal e não realizar nenhuma alteração em sua rotina de skincare.
Antes de iniciar a pesquisa e ao final das 16 semanas, as participantes realizaram avaliações de composição corporal, de capacidade física e das propriedades da pele, além de exames de sangue. As análises da pele foram realizadas por meio de aparelhos (como ultrassom) e de exames bastante específicos (como cultura de fibroblastos e avaliação de fatores inflamatórios em circulação no organismo).

Exercícios diferentes, resultados idem
Quando o estudo foi concluído e todas as avaliações foram finalizadas, as conclusões em relação às mudanças na pele foram muito significativas. As 56 mulheres que concluíram o experimento (das 61 originais, cinco desistiram no decorrer da pesquisa) tiveram ganhos de elasticidade e também uma melhora na estrutura da derme superior. Porém, nas que praticaram musculação, houve um ganho adicional de densidade da derme.
O que os pesquisadores descobriram é que o treinamento de resistência não só provoca a queda de fatores inflamatórios diretamente envolvidos no processo de envelhecimento da pele e o aumento da atividade de vários genes relacionados à sua qualidade – fenômenos observados em ambos os grupos -, como ainda incrementa a presença de um proteoglicano chamado biglicam dérmico. Esta molécula complexa composta, em uma explicação simplificada, por proteínas e carboidratos, está diretamente ligada à espessura dérmica. Assim, o que essas descobertas sugerem é que, ao preservar e estimular a produção do biglicam dérmico, a musculação provoca a melhora na densidade da pele observada nas participantes.
Os pesquisadores afirmam que novos estudos precisam ser feitos para mapear melhor os mecanismos envolvidos em todo o processo. Mas, ao que tudo indica, mais um motivo foi descoberto para se ter uma vida ativa e, de preferência, uma rotina que envolva a musculação: manter – ou melhorar – a saúde da pele.