Inovação: o que são e para que servem as terapias regenerativas

février 26, 2026
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Nos últimos anos, o uso de terapias regenerativas – na medicina como um todo, na dermatologia e na estética em geral – vem se tornando cada vez mais comum. A proposta que une essas técnicas é reparar células e tecidos.

“De uma maneira bem simplificada, podemos dizer que o objetivo das terapias regenerativas é fazer uma célula que está envelhecida voltar a funcionar como nova”, explica a dermatologista Gabriela Capareli, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Para atingir essa meta, costuma-se utilizar substâncias que estimulam o processo de autorregeneração celular. Algumas são de origem autóloga, produzidas a partir do próprio organismo; outras, variações processadas em laboratório.

Quando o próprio corpo é a fonte da reparação

Três das substâncias que vêm sendo mais utilizadas nas terapias regenerativas são o PRP, os exossomos autólogos e as células-tronco. O PRP, ou plasma rico em plaquetas, é produzido a partir do sangue do paciente. Por ser rico em fatores de crescimento, esse fluido carrega o poder de estimular a proliferação celular, a reparação de tecidos e a produção de colágeno.

Os exossomos autólogos também se originam do próprio sangue do paciente. Essas microvesículas presentes naturalmente em nosso organismo são responsáveis pela sinalização entre as células, ou seja, enviam os comandos para que elas funcionem de uma maneira eficaz. A ideia por trás do uso dos exossomos é, mais uma vez, melhorar a performance celular e, com isso, a qualidade da pele. As células-tronco, por sua vez, são obtidas a partir do tecido gorduroso. Sabe-se hoje que a gordura humana é um rico reservatório desse ativo biológico.

As células-tronco, por sua vez, são obtidas a partir do tecido gorduroso. Sabe-se hoje que a gordura humana é um rico reservatório desse ativo biológico.

A centrifugação ou a ultracentrifugação são os métodos mais utilizados para a obtenção do PRP e dos exossomos autólogos. Já as células-tronco são provenientes da gordura extraída, por aspiração, de regiões que apresentam seu acúmulo (o abdômen, por exemplo). Depois de aspirado, o material passa por uma centrifugação (para que haja uma concentração maior de células tronco) e é imediatamente reinjetado. Todos esses procedimentos devem ser realizados com o auxílio de equipamentos específicos e seguindo os devidos cuidados sanitários.

PDRN e exossomos vegetais

Além dos ativos provenientes do organismo do próprio paciente, duas outras substâncias vêm ganhando os holofotes entre as terapias regenerativas: o PDRN e os exossomos vegetais.

O PDRN, extraído de fragmentos de DNA encontrados no esperma do salmão, atua tanto como anti-inflamatório como estimulando a síntese de colágeno. Graças a essas propriedades, tem trazido ótimos resultados na regeneração da pele.

Os exossomos vegetais, por sua vez, apresentam benefícios similares ao dos exossomos autólogos. Porém, como o próprio nome adianta, são derivados de plantas – principalmente da rosa damascena.

Como é o uso em consultório

No Brasil, apenas a aplicação cosmética da maioria das terapias regenerativas é regulada. Isso significa que elas são liberadas somente para uso tópico. Tratamentos associados com o microagulhamento ou com outros tipos de microperfurações (feitas com laser ou com eletroporação, por exemplo), assim como a utilização na forma injetável, ainda são, em grande parte, considerados experimentais. Isso ocorre principalmente com aqueles de origem não autóloga. O aval da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ainda está em está em estudo para boa parte deles. Fora do Brasil, a orientação costuma ser a mesma em grande parte dos países: fazer sempre a aplicação tópica.

Há sim indicativos de que, ao serem aplicadas de maneira mais profunda, por meio de microperfurações ou injeções, as terapias regenerativas trariam efeitos ainda melhores. Porém, o consenso atual é de que mais trabalhos científicos são necessários para comprovar os resultados que alguns profissionais têm constatado ao injetar esses ativos por iniciativa própria. As terapias regenerativas, afinal, são ainda muito recentes e a totalidade de seus benefícios e riscos ainda precisa ser totalmente escrutinada.

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